• Selma Mello

FILHOS DE BOLSONARO ALFINETAM PAULO CÂMARA POR PRISÃO DE MANIFESTANTES EM RECIFE

Filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Carlos e Eduardo Bolsonaro, alfinetaram o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), após a notícia de que manifestantes foram detidos em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, nesse domingo (15). Segundo a Polícia Civil, dois homens foram detidos. Um deles por descumprir o decreto do governo do Estado que proíbe reuniões e eventos com mais de 500 pessoas, devido à pandemia mundial do novo coronavírus (Covid-19), e o outro, por desacato.

Eduardo Bolsonaro (PSL), chegou a falar em "fascismo" ao comentar o assunto. "Prender um cara porque estava segurando uma plaquinha? Já sei que vão falar do coronavírus. Mas o corona só se pega em manifestação ou em estádio e ônibus também? Revolta seletiva do governador? É o Estado acima das liberdades. Se isso não é fascismo eu não sei o que é...", escreveu o deputado federal em sua conta no Twitter.

O decreto de Paulo Câmara foi publicado no sábado (14), para tentar conter a epidemia do vírus, que já tem oito casos confirmados. Em nota, o Palácio do Campo das Princesas afirmou que "todo evento que descumprir o decreto será alvo de investigação policial e seus organizadores podem ser enquadrados no artigo 268, do Código Penal (Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa)".

Prender um cara porque estava segurando uma plaquinha? Já sei que vão falar do coronavírus. Mas o corona só se pega em manifestação ou em estádio e ônibus tb? Revolta seletiva do governador? É o Estado acima das liberdades. Se isso não é fascismo eu não sei o que é... https://t.co/ZlDygiIyOM

— Eduardo Bolsonaro???????? (@BolsonaroSP) March 16, 2020


O vereador Carlos Bolsonaro também comentou, no Twitter, sobre o ocorrido. "Esperavam o que de quem admira "liberais" como Barack Obama? Se prender manifestante com prudência e sofisticação parece que tá tudo bem....".


Segundo a polícia, para os dois casos foram lavrados Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO). Os homens prestaram depoimento e foram liberados para responder em liberdade.

O ato aconteceu em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, mesmo após decreto do governo do Estado proibindo eventos com mais de 500 pessoas.

Durante o ato desse domingo (15), a reportagem do JC conversou com Mateus Henrique, que é presidente do Direita Pernambuco, e ele criticou o decreto do governo estadual. "O decreto com certeza atrapalhou (o ato) porque todo mundo estava motivado e sabendo que iria vir pra cá, mas no final das contas sai esse decreto e existe o medo de repressão do governo. Esse governo (Paulo Câmara) a gente sabe que tem uma postura bem ditatorial, então muita gente ficou com o pá atras de vir", disse.

Nota da Polícia Civil sobre manifestantes detidos em Boa Viagem

A Polícia Civil de Pernambuco informa que autuou o líder de uma manifestação, de 21 anos, que ocorreu, neste domingo (15), em Boa Viagem, em função do descumprimento do artigo 268 do Código Penal ("Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa").

Com base no artigo 196 da Constituição de 1988 (“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e outros agravos...”) e na Lei Federal Nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, diante da pandemia mundial e dos riscos de transmissão do COVID -19, o Ministério Público de Pernambuco, por meio da Promotoria de Justiça Plantonista da Capital, recomendou à Secretaria de Defesa Social a “adoção de medidas para evitar a realização de eventos de qualquer natureza com público superior a 500 pessoas”.

Decisões proferidas hoje (domingo (15), em plantões judiciários, determinaram a não-realização de dois eventos - a Festa da Tainha, no município de Goiana, e os Fanfarrões Bora Bora, em Jaboatão dos Guararapes - pelo risco de propagação do COVID -19. Na mesma direção, como forma de prevenir o avanço do corona vírus no território pernambucano, o Governo do Estado publicou o decreto 48.809/20, proibindo a eventos com grande aglomeração de pessoas. O rapaz de 21 anos foi ouvido na Delegacia de Boa Viagem. Além dele, um homem, de 57 anos, também foi autuado. Nesse último caso, por desacato à autoridade policial por ter invadido a delegacia e desrespeitado a equipe de servidores de plantão neste domingo.

Nos dois casos, foram lavrados Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO). A PCPE reforça que está cumprindo a legislação e a recomendação das autoridades sanitárias, sem qualquer avaliação da orientação ou motivação do protesto em questão.

Protesto pró-Bolsonaro no Recife

Pernambucanos em verde e amarelo foram às ruas dar um recado ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF): “deixem o presidente Jair Bolsonaro trabalhar”, assim gritava um dos grupos que seguiu pela Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, nesse domingo (15).

Na visão de alguns manifestantes presentes, o decreto de Paulo Câmara foi político para atrapalhar o protesto. Segundo organizadores, trios elétricos não puderam ser utilizados por conta do decreto. “Nada atrapalha esse protesto, em primeiro lugar está o Brasil. O protesto é pacífico e ordeiro para retirar esses políticos corruptos do poder e dar um país melhor aos meus netos e bisnetos. Defendo o fora corrupção, apoiando o governo para melhorar o Brasil. O Congresso está travando o que Bolsonaro quer fazer de melhor”, disse o aposentado Paulo Nunes, de 60 anos. “O que esse governo de oposição puder fazer ele faz. O coronavírus, esse negócio tem todo ano depois do Carnaval, gripe do porco, aviária, conjuntivite. Não é por isso que vamos deixar de vir aqui”, completou o aposentado em crítica ao decreto de Paulo Câmara.

Mesmo quem estava receoso com o Covid-19 não perdeu a chance de se manifestar. Cartazes afirmavam que o “maior vírus do Brasil é a corrupção” e alguns dos presentes no ato conseguiram até máscaras cirúrgicas nas cores da bandeira do Brasil.

No quis diz respeito aos cartazes, o foco estava mesmo em Rodrigo Maia (presidente da Câmara) e Dias Toffoli (presidente do STF), alguns pediam eles fora, outros chegavam até a citar intervenção militar. “Esse ato é contra a corrupção, contra tudo o que está atrapalhando Bolsonaro de governar. É contra isso, pois, enquanto ele está trabalhando para que o Brasil melhore e venha a ser um país de ponta, de primeiro mundo, tem muita gente para atrapalhar”, afirmou Edirce Pinto, 60, que é professora e empresária.

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